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Treinamento para realização de Inventário Amostral na Resex Arióca Pruanã é mais um passo rumo ao Plano de Manejo Florestal Comunitário

Treinamento para realização de Inventário Amostral na Resex Arióca Pruanã é mais um passo rumo ao Plano de Manejo Florestal Comunitário

Moradores da Reserva Extrativista (Resex) Arióca Pruanã, localizada no município Oeiras do Pará, que há muito anseiam por aperfeiçoamento de técnicas para melhorar a produção florestal, participaram, no mês de junho e julho, dos cursos de Inventário Florestal Amostral e Noções Básicas do Uso de Aparelho GPS. Demandas por capacitação e treinamento em atividades florestais são recorrentes na relação estabelecida entre o Instituto Floresta Tropical (IFT) e as populações tradicionais. O que torna a missão institucional ainda mais relevante para o cenário amazônico.

Os treinamentos compõem a agenda construída coletivamente com as comunidades da região do Marajó, em parceria com o ICMBio, no âmbito do projeto Florestas Comunitárias, desenvolvido com apoio do Fundo Amazônia. Participaram dos cursos cerca de 60 extrativistas das comunidades Castanheiro, São Raimundo, Vila Valério, Deus Proverá e Palmeira, que compõem o grupo de manejadores florestais da Resex.

A forte presença feminina nos cursos foi comemorada pela coordenadora do Programa Florestas Comunitárias do IFT. Ana Carolina Vieira, engenheira florestal, afirmou que o número de mulheres nas atividades do projeto cresce consideravelmente e considera o trabalho realizado pelo IFT na tentativa de garantir equidade de gênero em todas as atividades do projeto como um dos elementos que proporcionaram esse crescimento. “As mulheres da Arióca mostraram que estão entusiasmadas com o trabalho no manejo florestal. E isso é importante porque reforça que a luta pela igualdade de gênero é real também no campo e nas florestas. Elas estão se capacitando e logo devem assumir posições antes consideradas apenas trabalho dos homens”, destacou Ana Carolina.

Mulheres da Resex participam de treinamento.

De acordo com César Pinheiro, técnico instrutor sênior do IFT, os dois treinamentos compõem a primeira etapa de campo destinada à produção do inventário florestal nas áreas apontadas pelos próprios comunitários, em atividade de mapeamento participativo, para realização do Manejo Florestal Comunitário. “A proposta de construção compartilhada é justamente capacitar os manejadores e em seguida atuar com eles em campo, executando os conhecimentos teóricos em atividades práticas”, explica César.

Inventário Florestal

Inventário Florestal é o procedimento realizado em campo para obter informações sobre as características quantitativas e qualitativas de uma floresta ou de um determinado produto florestal, além de fornecer outras características das áreas; de acordo com o objetivo da atividade a ser exercida. O curso ministrado pelo IFT abordou a modalidade de inventário amostral, com os diferentes tipos de amostragens, além de apresentar a metodologia, noções sobre organização logística da atividade, rotinas de campo e composição de equipes.

Segundo César Pinheiro, o treinamento busca apresentar o inventario amostral como metodologia para conhecer o potencial florestal de uma determinada área de interesse, além disso, durante o curso é compartilhado com os participantes como as informações levantadas pelo inventário contribuem com a elaboração do texto do Plano de Manejo Florestal. “Entre os assuntos abordados, vimos também os métodos de inventario amostral mais práticos e eficazes na Amazônia, o método Inventario Florestal Nacional. Discutimos como mensurar os trabalhadores necessários para delimitar e inventariar as parcelas amostrais. Descrevemos a importância de se conhecer previamente o local para traçar a logística do trabalho e como preencher corretamente todas as fichas de campo pertinentes à atividade” conta César.

GPS

A utilização de tecnologias do Sistema de Posicionamento Global conhecido por GPS (Global Positioning System) não é mais novidade nas atividades florestais. Contudo, para uma parcela da sociedade que reside em ambientes tradicionais, e que estão social e politicamente isoladas dos grandes centros, o uso dessas tecnologias ainda é uma novidade.

Técnico instrutor do IFT compartilha conhecimentos sobre uso do GPS em atividade de inventário florestal.

O GPS tem como objetivo auxiliar as atividades de navegação e realização de levantamentos geodésicos e topográficos. O curso de Noções Básicas do Uso de GPS ministrado pelo IFT apresentou aos participantes noções de cartografia associadas ao uso de coordenadas geográficas, assim como as principais configurações do aparelho, as unidades métricas e a calibração de bússolas.

Para César Pinheiro, ambos os cursos foram positivos na estratégia de treinar os comunitários para realização de atividades florestais, que foram desenvolvidas logo após os treinamentos na área destinada ao manejo florestal comunitário.  “Construir com os comunitários cada etapa desse processo é fundamental. Desde o mapeamento participativo, até a definição dos locais de realização do curso e as metodologias, todas as atividades foram fundamentais para que eles se apropriassem dos conhecimentos e de fato pudessem aplicar em campo”, comentou o técnico. O inventário florestal na Resex Arióca Pruanã ocorreu nos meses de julho, agosto e setembro e conta com a assessoria do IFT e participação dos comunitários.

A estratégia de encubação do manejo florestal comunitário desenvolvida pelo IFT atua na perspectiva de construção coletiva das ações e tomadas de decisão, por meio do cruzamento de informações técnicas-cientificas com o conhecimento tradicional. Assim, as comunidades tradicionais podem definir os melhores arranjos para o manejo florestal. Com o uso de métodos de pesquisa-ação, de forma participativa, o IFT colabora com a construção do conhecimento coletivo e apoia a aplicação prática pelos atores sociais, que aprimoram as técnicas de manejo florestal de acordo com suas complexidades sociais e ambientais.

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