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Resultados do manejo florestal na Resex Verde para Sempre confirmam potencial madeireiro da região

Resultados do manejo florestal na Resex Verde para Sempre confirmam potencial madeireiro da região

Em 2017, cinco Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) foram executados na Reserva Extrativista (Resex) Verde para Sempre. A operação contou com a coordenação técnica-operacional do Instituto Floresta Tropical (IFT) que assessorou a exploração em campo com uma equipe de seis profissionais dedicados a treinar os manejadores com as melhores técnicas de manejo florestal desenvolvida nos trópicos úmidos. Os dados de campo apontam para uma colheita florestal que, somados todos os cinco planos, rendeu mais de oito mil e quinhentos metros cúbicos de madeira comercializável.

Segundo o engenheiro florestal Iran Pires, secretário-executivo do IFT, que coordenou a encubação do manejo florestal e a assessoria às comunidades, a safra florestal foi incialmente planejada para 6 comunidades: Arimum, Paraíso, Por Ti Meu Deus, Itapéua, Ynumbi e Espírito Santo, porém, só foi possível realizar em cinco delas. Ocorreram problemas com recursos financeiros, logísticos e climáticos que impossibilitaram a ida das máquinas para a comunidade Espírito Santo. “Isso ocorreu porque as atividades operativas iniciaram pelas comunidades localizadas no rio Acaraí, pois uma das comunidades já possuíam árvores prontas para o arraste. Durante a safra, as comunidades sofreram com escassez de recursos para aquisição de insumos para os maquinários e para o transporte dos equipamentos, com isso houve atraso no envio do maquinário a comunidade Espirito Santo. Esse fato aliado as condições de vazante do rio que dá acesso a comunidade, impossibilitou a realização da exploração”, explicou Iran.

As Unidades de Produção Anual (UPA) exploradas somam mais de 600 hectares de florestas. Com o encerramento da safra, o volume comercializável capaz de gerar transação comercial representou 71% da produção esperada. “O volume comercializável diz respeito aos dados obtidos nos romaneios, e já descontados os volumes de ocos, rachaduras e defeitos das toras. As florestas juntas, cujo volume foi selecionado para corte, poderiam fornecer cerca de 19 m³ por hectare, mas atendendo cuidadosamente aos critérios ambientais e produtivos, e após constatarmos falhas no inventário 100%, como erros de comprimento de fustes, resultou efetivamente em uma média de um pouco mais de 14 m³/ha”, argumenta Iran.

Madeira sendo transportada por balsa.

O valor total da produção representa mais de um milhão e meio de reais. Esse número, explica Iran, foi calculado em função dos valores atuais negociados por espécies com o comprador, somados, ainda, as estimativas do valor que será possível obter com futuras vendas, ainda não negociadas. “Alguns valores por comunidades devem variar para menos, pois dependerá das condições de qualidade das toras no momento da venda e embarque. Podem ocorrer mais descontos nos volumes devido a defeitos ocasionados pela exposição ao tempo de permanência de algumas toras no pátio de estocagem, como manchas, ataque de insetos e podridão, por exemplo. Consequentemente o valor a ser pago pelo metro cúbico diminui.  É possível uma variação de 10 a 15% para menos dos valores totais futuros”, conta Iran.

Desafios

O manejo florestal na Resex proporcionou aprendizados, trocas e um ambiente de parcerias com o objetivo de proporcionar desenvolvimento às comunidades que vivem no território. Para o secretário executivo do IFT, a cada atividade realizada, e a cada resultado obtido, os atores envolvidos dialogaram na expectativa de solucionar problemas, evitar equívocos e principalmente refletir sobre as oportunidades de melhorias para a próxima safra. “Isso pode ser visto, por exemplo, na operação de corte direcional, em que a produtividade inicial das equipes era muita baixa, mas ao final da atividade já eram visíveis as melhorias. Apesar de estarem apenas no início do domínio das técnicas, o conhecimento realístico da floresta e dos equipamentos, proporcionaram a formação, e porque não transformação, de muitos, outrora apenas observadores, para agora produtores de madeira manejada”, comemora.

Iran é enfático ao afirmar que embora tenham alcançado relativo sucesso até aqui, e importantes ganhos nesta primeira safra, ainda há muitos desafios a vencer para alcançar uma excelência operacional e financeira nos próximos anos. “Treinamento e capacitação nas diferentes atividades do manejo ainda são necessários – com exceção de Arimum, todas as outras comunidades realizaram sua primeira safra; então as dificuldades com mão-de-obra são esperadas, a distância geográfica das unidades de produção até os centros fornecedores de insumos é limitadora para ganhos de eficiência a curto prazo na produção; a floresta na região é bastante variável requerendo acurácia nos censos florestais e no uso de árvores substitutas. Uso de equipamentos depreciados resulta em quebras constantes, e sem substitutos, compromete a produção diária esperada. Além das questões operacionais, há dificuldade em obter recursos financeiros para custeio da exploração, atrasando o pagamento de mão de obra local e abastecimento com insumos, o que paralisa as operações e eleva os custos por unidade produzida”, pontuou o secretário.

Pátio de estocagem visto de cima.

Assessoria

Na Verde para Sempre, o IFT colocou em prática a estratégia de encubação do manejo florestal comunitário, cujo os pilares são a capacitação e treinamento, extensão florestal e uso de equipamentos próprios. “Enquanto as comunidades atuaram no trabalho do dia-a-dia, nas atividades pré-exploratórias (delimitação e inventário) e exploratórias como: corte direcional, planejamento de arraste, traçamento, operações de pátio e romaneio, o IFT entrou na encubação do manejo com maquinários e assessoria técnica durante toda a execução das atividades exploratórias, treinamentos e capacitações, e na captação de recursos financeiros para apoio complementar às operações” disse Iran.

A encubação para o manejo florestal comunitário é um processo que respeita o tempo de aprendizado das comunidade tradicionais, trabalha com a premissa de construção do conhecimento coletivo em que se dialoga sobre técnicas operacionais e de gestão do manejo florestal, planeja e aplica as estratégias definidas em grupo e posteriormente avalia resultados para fortalecer o que está dando certo e corrigir os erros. “E com isso desenvolvendo a autonomia das capacidades em gerir seus empreendimentos florestais. O tempo de encubação varia de acordo com o nível organizacional das comunidades, o IFT busca trabalhar pelo menos cinco anos na assessoria e formação das competências comunitárias”, afirma Ana Carolina Vieira, coordenadora do Programa Florestas Comunitárias do IFT.

Grupo de manejadores em campo.

Parceria

As atividades na Verde para Sempre contam com apoio de diversas instituições, que empregam esforços financeiros, humanos e técnicos para contribuir com o desenvolvimento sustentável do território, entre elas ressaltamos: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio); Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Serviço Florestal Americano (USFS), Agencia Norte Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Climate and Land Use Alliance (CLUA), Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Comitê de Desenvolvimento Sustentável de Porto de Moz (CDS), Universidade Federal do Pará, Associações comunitárias e Cooperativa Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Rio Acaraí (COONSPRA).

Os 5 PMFS em números

1.358 árvores extraídas com técnicas de corte direcional

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8,5 mil m³ volume aproximado de madeira em toras

R$ 1.5 milhão de reais em expectativa de receita total da produção

2, 23 árvores extraídas por hectare

60 manejadores comunitários trabalhando nas operações de manejo

270 famílias beneficiárias das iniciativas de manejo nas 6 comunidades envolvidas

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