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Coopagri é o novo empreendimento florestal comunitário da Resex Ituxi

A Junta Comercial do Estado do Amazonas (JUCEA) autorizou a liberação do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da Cooperativa dos Produtores Agroextrativistas da Resex Ituxi (Coopagri). Com o número do cadastro em mãos a cooperativa está instituída legalmente e pronta para comercializar os produtos oriundos da floresta. A luta pela concretização do sonho de instituir a cooperativa durou quase dois anos e entre os principais parceiros nesse processo está o Instituto Floresta Tropical (IFT).

A demora no estabelecimento legal da Coopagri junto à JUCEA se deu por inúmeros motivos, dentre eles pode-se destacar a dificuldade de acesso a ferramentas digitais online e a baixa escolaridade vivenciadas por populações que habitam regiões isoladas dos grandes centros. Erros na edição das atas e dificuldade de repetir a assinatura igual à que está na documentação de identificação, por exemplo, fizeram o processo retornar várias vezes.

A Cooperativa é formada por moradores da Reserva Extrativista (Resex) Ituxi, localizada no município de Lábrea, região sul do estado do Amazonas. O território compõe uma região de intensos conflitos agrários e está na lista dos municípios que mais desmatam a floresta amazônica segundo informações do Ministério do Meio Ambiente. A Coopagri vai comercializar inicialmente seis produtos principais: castanha-do-brasil, óleo de copaíba, madeira, farinha de mandioca, pirarucu manejado e açaí.

De acordo com Gilmara Pereira do Nascimento, presidente da Coopagri, a conquista do CNPJ é uma vitória que merece ser comemorada. “O CNPJ é um dos muitos passos que ainda temos que dar, ele representa a autonomia não só do nosso trabalho, mas também do trabalho de todos os moradores da Resex. É através dele que vamos buscar a comercialização de nossos produtos. Foi um processo bem demorado, as coisas são bem mais complicadas do que esperávamos, foram muitos erros, tanto a ata quanto o estatuto foram enviados de volta inúmeras vezes. Porém, no final deu tudo certo, o CNPJ está aí e agora vamos começar uma batalha maior ainda”, argumenta.

Parceria

Sobre as parcerias, Gilmara destaca as contribuições de diversas instituições, entre elas o IFT, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Lábrea (Sema-Lábrea), Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Instituto de Educação Ciência e Tecnologia do Amazonas (IFAM), Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lábrea, Coopmais, Aspacs, instituto Desenvolver, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). “Todos foram importantes nesse processo. Agora, nosso próximo passo é correr atrás das certidões, Alvará e regularizar os documentos”, conclui Gilmara.

Silvério Barros Maciel, presidente da Associação dos Produtores Agroextrativistas da Assembleia de Deus Rio Ituxi (Apadrit), destaca a importância da Coopagri no cenário do manejo florestal na região. “Estabelecer a Coopagri como entidade foi uma grande vitória. Todos serão beneficiados com isso e poderão comercializar seus produtos como cooperados”. Para Wesley Andrade da Silva, técnico administrativo da Sema-Lábrea, a conquista é significativa e só foi possível graças a luta da diretoria. “Foi um processo árduo e demorado, mas hoje todos os membros estão felizes e sabem que trará muitos benefícios”.

Associações e cooperativas comunitárias são alguns dos exemplos de entidades de organização social que funcionam por meio da gestão compartilhada e colaborativa. O IFT apoia populações tradicionais que utilizam alguma dessas modalidades para desenvolver seus territórios e garantir qualidade de vida. Entre elas estão a Associação dos Produtores Agroextrativistas da Assembleia de Deus do Rio Ituxi (Apadrit), a Cooperativa dos Produtores Agroextrativistas do Ituxi (Coopagri) e o Empreendimento Angelim.

As organizações atuam em diferentes frentes no apoio à produção das comunidades. Entre as atividades que já são uma realidade na Resex está o manejo florestal sustentável. Mas para que fosse efetivado foram necessárias diversas etapas que incluíram treinamento e capacitação para a gestão do negócio florestal. A participação do IFT nesta etapa foi fundamental. Por meio de consultoria especializada em associativismo e cooperativismo, que só foram possíveis graças à parceria entre Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Serviço Florestal Americano (UFSF – da sigla em inglês) e Fundo Vale, foi desenvolvido um modelo de gestão que está sendo aplicado no âmbito da associação e da cooperativa.

Cooperativa

Cooperativa é uma sociedade de natureza civil, formada por no mínimo 20 pessoas – a Coopagri possui 23 – gerida de forma democrática e participativa, com objetivos econômicos e sociais comuns. Os próprios associados, seus líderes e representantes têm total responsabilidade pela gestão e fiscalização da cooperativa.

Além disso, se diferencia de outros tipos de associações de pessoas por seu caráter essencialmente econômico. A sua finalidade é colocar os produtos e serviços de seus cooperados no mercado em condições mais vantajosas do que os mesmos teriam isoladamente. Desse modo, pode ser entendida como uma “empresa” que presta serviços aos seus cooperados. As premissas do cooperativismo são: identidade de propósitos e interesses; ação conjunta, voluntária e objetiva para coordenação de contribuição e serviços; obtenção de resultado útil e comum a todos.

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), existem aproximadamente 7,5 mil cooperativas registradas na Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), congregando 5,3 milhões de cooperados e 171 mil pessoas empregadas. Elas respondem por 30% de toda produção nacional de alimentos e 4,8% das exportações do agronegócio. Apenas no ramo das cooperativas agropecuárias, o faturamento fica em torno dos R$ 25 bilhões/ano, ou cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB).

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