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Histórico

O Instituto

O IFT é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) da Amazônia brasileira com foco em questões florestais. A entidade presta contas ao Ministério Público Federal e recebe avaliação externa em relação à transparência institucional. Para isto, adotou práticas eficazes de controle dos recursos financeiros, alcançando alto nível de transparência. É apoiado por diversos doadores que recebem e aprovam projetos com foco na missão de promover boas práticas de manejo florestal na Amazônia.

A instituição proporciona a experiência que convencionou-se chamar de “mão-na-massa” – prática in loco e teoria para aplicação real das técnicas – para agentes do governo, trabalhadores da indústria madeireira, comunidades, pequenos produtores rurais, estudantes de escolas técnicas e universidades, e tomadores de decisão de diversas esferas.

Para o IFT, o uso múltiplo da floresta é uma importante fonte para gerar benefícios sociais e desenvolvimento de populações rurais do interior da Amazônia. Por isso, luta para garantir que o manejo florestal executado seja realizado seguindo as melhores práticas e técnicas existentes, de forma a efetivamente conservar os recursos explorados a longo prazo. No último biênio, o IFT intensificou a atuação em comunidades do interior da Amazônia, ajudando produtores a fazerem as melhores escolhas quanto ao uso de seus recursos florestais.

Muito do que os técnicos e engenheiros do IFT transmitem durante os treinamentos e sensibilizações é resultado de testes, experimentos e observações de campo realizados ao longo dos 20 anos de experiência acumulados pela instituição. É do IFT o maior e mais duradouro programa de aprimoramento de manejo florestal nos trópicos, sendo a única organização independente da Amazônia que executa um programa de pesquisa aplicada em manejo florestal.

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Toda esta expertise técnica gera demanda por parte de entidades governamentais, comunidades, empresas e outras organizações que contratam o IFT para estudos técnicos florestais. O IFT participa, também, de fóruns especializados para a discussão dos desafios na área florestal – uma forma de ampliar o alcance das lições aprendidas.

Para a formatação e condução de seu programa de capacitação e treinamento, a instituição conta com uma estrutura que inclui um Centro de Manejo Florestal em Paragominas, em parceria com a empresa Cikel Brasil Verde, que dispõe de cinco mil hectares de florestas manejadas para demonstrações e treinamentos. Graças a outras parcerias, o Centro de Manejo Roberto Bauch (CMFRB) conta também com máquinas de exploração florestal e equipamentos diversos para aplicar as práticas de manejo. O IFT possui hoje um portfólio de 11 cursos práticos em manejo florestal que podem ser executados no Centro de Manejo ou nas próprias áreas das empresas e comunidades.

O CMF Roberto Bauch é hoje um dos únicos centros de treinamento em manejo florestal em atividade e o único centro independente. É associado ao Cenaflor, Centro Nacional de Apoio ao Manejo Florestal, ligado ao Serviço Florestal Brasileiro (SFB), tendo esta organização como um de seus parceiros estratégicos nas suas ações.

Missão

Promover a adoção de boas práticas de manejo florestal, contribuindo para a conservação dos recursos naturais e a melhoria da qualidade de vida da população.

Visão

O desenvolvimento de um setor florestal justo, sustentável e inclusivo na Amazônia brasileira, amparado por uma indústria fortemente baseada na construção de capacidades técnicas e na legalidade, e reconhecedor das comunidades tradicionais como uma importante fonte de conhecimento e de suprimento de produtos oriundos da sociobiodiversidade.

A história

Fundação Floresta Tropical

Em 1992, com então 28 anos de experiência em manejo florestal na Amazônia e em países da América Latina, Johan Zweede foi convidado por Christopher Uhl do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) para assessorar tecnicamente a instituição na pesquisa comparativa da Exploração Convencional vs Exploração de Baixo Impacto, financiado pelo WWF. Como consultor e especialista em manejo florestal, Zweede ajudou os técnicos da instituição no aprimoramento, concepção, inovação operacional e implantação, na Amazônia, de um novo sistema de exploração de baixo impacto. Dentre suas contribuições ao projeto, foi dele a orientação técnica e iniciativa de captar junto a CAT internacional o apoio para usar durante a pesquisa Skidder para o arraste de toras, no lugar de tratores de esteiras com rabicho, comuns à exploração florestal no início da década de 90.

Em maio de 1994, Johan Zweede acompanhou Peterson, presidente da ONG americana Tropical Forest Foundation (TFF) e presidente da Caterpillar nos EUA, durante visita institucional à Paragominas, região sudeste do Pará. A Caterpillar foi a empresa que, a pedido de Zweede, deu apoio para emprestar máquinas ao projeto de pesquisa em manejo florestal do Imazon, na “Fazenda Sete”.  Com o término da pesquisa e apresentação dos resultados, e logo após a visita, foi discutido com Johan Zweede a possibilidade de se criar no Brasil uma entidade para replicar a experiência de Manejo Florestal com baixo impacto, que futuramente, depois de criação da FFT, viria a se denominar Exploração Florestal de Impacto Reduzido.

Em 15 de setembro de 1994, Johan Zweede foi autorizado pela TFF para criar uma entidade subsidiária no Brasil para promover modelos demonstrativos de gestão florestal. O trabalho foi iniciado imediatamente, incluindo atividades de campo, mas a FFT como uma entidade legal no Brasil foi criada apenas em janeiro de 1995.

Nos primeiros anos, a FFT se dedicou a estabelecer cinco modelos de gestão florestal na Amazônia. Em 1995, com o apoio da Cikel, na Fazenda Cauaxi, localizada no município de Paragominas, região leste do Pará, foi estabelecida como o primeiro e principal sítio operacional para a FFT, e o foco da organização tornou-se a formação em Manejo Florestal e Exploração de Impacto Reduzido para todos os níveis de público, tanto no Centro de Treinamento em Cauaxi (curso in situ), quanto cursos ex-situ na Amazônia brasileira e peruana.

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Instituto Floresta Tropical

A criação do IFT foi discutida em 1999 durante encontro entre diversas organizações públicas, privadas e do terceiro setor, além de importantes nomes do cenário florestal da época, em que Johan Zweede e as demais instituições convidadas vislumbravam ter uma organização com identidade nacional. Para os setores envolvidos, a FFT deveria ser essa organização, e para tanto bastaria passar de FFT para IFT, absorvendo da última a experiência, recursos humanos e equipamentos, o que ocorreu em outubro de 2001. Neste ano, a FFT começa a se preparar para ser uma ONG brasileira, após a proposta ter sido apresentada e aprovada pelo conselho diretor da TFF. A criação da entidade IFT teve início em agosto de 2002, e foi efetivada em setembro 2003 com fundos especiais do Serviço Florestal dos Estados Unidos (Escritório de Programas Internacionais).

De setembro 2003 até setembro 2008 as duas entidades trabalharam juntas, compartilhando infraestrutura e pessoal. Em 2006, o IFT foi reconhecido oficialmente pelo governo brasileiro como uma OSCIP, e o centro de manejo em Cauaxi passa a se chamar Centro de Treinamento Florestal Roberto Bauch (CMFRB), em homenagem a um dos incentivadores da criação do Centro, o Engenheiro Florestal Roberto Bauch. Roberto foi o responsável por apoiar ativamente a implantação de dois modelos no estado do Mato Grosso, com financiamento do Banco Mundial. O encerramento das atividades da FFT foi concluído com a doação oficial ao IFT, de toda a infraestrutura, pessoal, equipamentos e materiais que pertenciam a FFT.

Johan Zweede, fundador do IFT no Centro de Manejo ministrando curso.

O holandês Johan Cornelis Zweede, radicado no Brasil desde 1966, é um homem com muito fôlego. Ainda viaja muito, ministra cursos, escreve livros e sempre que pode retorna à Belém para desenvolver atividades no Instituto Floresta Tropical (IFT), fundado por ele em 1994. Com residência fixa em Fortaleza, Ceará, Zweede continua contribuindo com pesquisas que se propõem a manter a floresta em pé, levando em consideração as necessidades dos povos que a habitam.

Engenheiro Florestal e Biólogo por formação, é exímio conhecedor das técnicas de manejo florestal pioneiras implantadas pelo (IFT) na Amazônia. Uma fonte viva de conhecimento sobre a importância social e econômica do uso sustentável dos recursos florestais pelas empresas e populações tradicionais da Amazônia, e da necessidade de conservação da floresta tropical.

Zweede nasceu em 1940 em Java, na Indonésia, a segunda maior e a principal ilha do país, onde está situada a capital, Jacarta. Naquele período, a região era colônia holandesa e vivia os terrores da segunda guerra mundial. De 1942 a 1945, dos três aos seis anos, Zweede viveu no campo de concentração japonês Banjubiro.

Zweede vivenciou a morte do pai ainda na prisão, assistiu os bens da família serem confiscados – plantação de balata e café-, até que, logo após o fim da guerra, a família decidisse mudar para Holanda. Na Europa, a mãe casou-se com um ex-prisioneiro de guerra que havia perdido a esposa no campo de concentração.

Com a nova família veio então uma nova vida, desta vez do outro lado do oceano. A mudança para os Estados Unidos da América ocorreu pois o padrasto de Zweede foi trabalhar para o Banco Mundial. O início da carreira do padrasto se deu ainda na Holanda, onde foi professor de Agronomia na Universidade de Wageninen, quando então veio o convite para iniciar o departamento agrícola do Banco Mundial, em Washington.

Na juventude, Johan serviu ao exército americano para poder acessar a universidade sem precisar pagar pelos estudos. A instituição escolhida por ele foi a Universidade Estadual de Nova York, que ficava localizada dentro da Universidade Syracuse, a única que no início da década de 1960 tinha um currículo em florestas tropicais. Durante 5 anos fez simultaneamente dois cursos – Biologia e Engenharia Florestal -, Biologia na Syracuse e Engenharia Florestal Tropical na Universidade de Nova York.

Em 1964, Zweede viajou para o Suriname, até então colônia Holandesa. Por lá realizou estágio durante seis meses no serviço florestal do Suriname e na madeireira Bruinzeel. Na época, Zweede já almejava vir para o Brasil, daí sua vontade de obter experiência com a floresta tropical do Suriname. Com o termino do curso, Zweede procurou a única empresa florestal que tinha negócios no Brasil, especificamente na região do arquipélago do Marajó, município de Portel, no Pará.

A insistência para que viesse ao Brasil realizar atividades em Portel deu certo e após algumas tentativas, e outras negativas da empresa, que alegava não precisar de engenheiro florestal, ele finalmente é autorizado a vir ao Pará. Em 1965, ele convence a corporação a enviá-lo ao Marajó para ajudar na instalação da primeira fábrica de compensados da Amazônia brasileira para laminar Virola.

Zweede trabalhou na Georgia Pacífic Corp. (Amacol) de 1965 a 1970. Nesse período, Zweede conheceu o departamento de Loreto, na cidade de Iquitos, no Peru, onde a empresa americana U.S. Plywood, com trabalho semelhante ao realizado pela George Pacific, construiu uma fábrica de laminados usando Virola de várzea.

Nessa época, a George Pacific deu à Zweede a responsabilidade de percorrer todos os rios no caminho de Belém a Iquitos, no Peru, à procura de potencial madeireiro para abastecer a fábrica com Virola e potencialmente outros recursos florestais. Nesse período, acumulou grande conhecimento sobre as iniciativas de exploração existentes ao longo dos rios amazônicos.

De acordo com Zweede, a única espécie que era serrada na década de 1960 era a Andiroba, proveniente da várzea. “Algumas espécies da terra firme eram tiradas para a produção de estacas que serviram de pilares das construções de Belém, mourões para fazendas no Marajó, e um pequeno volume de madeiras para construções regionais”, recorda.

Em Breves, havia uma empresa chamada BISA S.A. que serrava Andiroba e algumas outras espécies da terra firme que boiavam, todas tiradas da floresta com o sistema de arraste calango. “Algumas espécies de alto valor eventualmente eram tiradas para produção de pisos, como a Sucupira, Ipê, Pau Amarelo e Acapu. Enquanto a maçaranduba era tirada para a produção de estacas de sustentação utilizadas na construção civil em Belém, as quais eram utilizadas nos prédios com até dez andares” conta Zweede.

Segundo Zweede, nos anos 60 não existia exploração de madeira de terra firme, não existia manejo florestal como hoje é visto na Amazônia. “Entretanto, para aqueles que exploravam havia uma legislação que exigia o plantio de 5 plantas para cada metro cubico produzido, porem poucos atendiam essa lei, pois a entidade que supervisionava e fiscalizava era o IBDF [Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal] que só tinha escritório em Brasília, não tinha em Belém”, diz.

Zweede foi o primeiro engenheiro florestal a trabalhar na Amazônia operacionalmente e comercialmente, outros engenheiros trabalhavam apenas no âmbito da pesquisa científica. Quando ainda trabalhava na George Pacific, Johan Zweede foi até Brasília com o Dr. Francisco Guerra, submeter um projeto de reposição florestal ao IBDF, visando o abastecimento futuro das fábricas com madeira proveniente de florestamentos.

Francisco Guerra era engenheiro florestal, formado em Curitiba, e chegou em Belém seis meses depois da chegada do Zweede a George Pacific, onde começou a trabalhar como agrônomo. Francisco começou trabalhando como assistente da Dra. Clara Pandolfo na secretaria de recursos naturais da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), e na época ajudou Zweede na elaboração do plano de reposição florestal (plantio). Plantaram Para-pará (não vingou), Virola na várzea (não vingou) e Pinus caribea var. hondurensis de 1967 a 1968 que desenvolveu muito bem na região.

Guerra escreveu o plano de reposição com apoio de Zweede e o levaram para o IBDF em Brasília. Em 1986 precisaram colher o Pinus, que era da Amacol, pois a Jari queria comprar. Então foram em Brasília procurar o projeto e constataram que o documento ainda estava sem aprovação desde 1967, então, na mesma semana foi protocolado a autorização de plantio e no outro dia dada a autorização de corte. Foram 5 anos de plantios de 1967 a 1971.

Em 1970, Zweede foi convidado para trabalhar no projeto JARI. Iniciou como engenheiro florestal da área de formação de plantios e três anos depois virou diretor florestal e posteriormente Vice-Diretor Executivo da Jari, permanecendo lá por doze anos (1970-1982).

De 1983 a 1986 fez parte de uma sociedade madeireira com mais dois empresários, comandando três serrarias em Breves, duas em Afuá e uma grande fábrica de molduras em Belém. A empresa chamava-se Xylo do Brasil, e produzia 3 mil metros cúbicos de madeira beneficiada por mês, o maior conjunto de estufas da época, com capacidade para mil metros cúbicos trabalhando 24 horas por dia.

Em 1987 saiu da sociedade da Xylo e montou uma empresa de exportação de produtos beneficiados na floresta ou produtos naturais processados manualmente, produtos destinados para áreas públicas e jardins de casas americanas. A empresa se chamava Exportadora Ubateua (Uba=madeira e teua=grande) e funcionou de 1987 a 1990. Concomitante aos trabalhos nas empresas, Zweede realizava algumas consultorias para a Smartwood e certificadora SCS na Costa Rica, Honduras, Nicarágua e Belize. Zweede participou da primeira certificação do Smartwood na empresa Portico, na Costa Rica, com manejo da Andiroba. Também participou, no início dos anos 1990, como consultor para SCS na certificação da Duratex, quando a empresa se tornou a primeira a ser certificada pelo FSC no Brasil e na América do Sul. Fez consultorias para governo brasileiro em Hidrelétricas e para empresas de Mineração e grandes projetos de construção.

De 1989 em diante, Zweede se dedicou apenas a consultorias, e nessa mesma época chamou Roberto Bauch para apoia-lo nos processos de certificação da Duratex e depois Eucatex em São Paulo, pela Smartwood. Em 1993, ele realizou o último trabalho voltado diretamente à certificação, quando a convite do FSC-IMAFLORA, participou do processo de certificação da Mil Madeireiras, no Amazonas. Os trabalhos futuros com certificação que surgiram, eram direcionados ao seu amigo Roberto Bauch.

Em 1992, durante uma de suas consultorias, Zweede foi convidado pelo Ecólogo Dr. Christopher Uhl, um dos fundadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON) para orientar uma equipe que iniciaria uma experiência com objetivo de mostrar aos madeireiros que a floresta não necessariamente deveria virar pasto após a exploração. “Chris Uhl disse que estava treinando uma equipe de profissionais para se dedicarem a pesquisa em várias áreas. Ele me questionou sobre a forma como eles deveriam fazer essa experiência mostrando um modelo com menos impacto, que fosse mais leve e mais ameno”, explica Zweede.

Chris Uhl queria que Zweede o ajudasse, pois já tinha trabalhado na Jari e tido várias experiências com florestas nativas na Amazônia. Zweede aceitou o convite e Chris solicitou que a ONG WWF o pagasse como consultor para Chris Uhl numa experiência na fazenda Sete, em Paragominas. Então, desde o princípio do experimento, Zweede participou ativamente com os demais pesquisadores do Imazon no planejamento das atividades operacionais. Por exemplo, foi contribuição de Zweede, trazer antigos operadores que trabalharam com ele na Jari para realizar as atividades planejadas por ele e pelo grupo de pesquisadores do Imazon.

Foi de Zweede uma das contribuições determinantes para o sucesso da pesquisa: quando Chris Uhl pensou em usar os mesmos equipamentos pesados da Exploração Convencional, na nova experimentação em desenvolvimento, Zweede argumentou que aqueles equipamentos levariam aos mesmos resultados negativos da exploração convencional, como exemplo apontou o uso do trator de esteiras para arrastar toras pelo rabicho, e disse que isso causaria danos igualmente em ambos os modelos de arraste. Zweede, então o orientou a usar skidder, trator de esteira e carregadeira para diferenciar a nova experimentação da exploração convencional.

Chris Uhl chegou a questionar como eles poderiam fazer aquilo que estava sendo proposto por Zweede. Por acaso, Zweede faria uma viagem ao EUA para vender um restante de madeira da sua empresa, e quando estava na Carolina do Sul, ouviu de Richard Donovan, Diretor do Smartwood e membro da Tropical Forest Foundation (TFF), sobre um encontro da instituição em Washington D.C, em que o Dr. Tom Lovejoy (reconhecido pesquisador e membro do conselho do Smithsonian Instituto) estaria transferindo a presidência da TFF para Don Peterson (presidente da CAT). Então, Donovan sugeriu que Zweede tentasse entrar no evento e falasse com Peterson sobre a pesquisa que seria feita no Brasil.

Zweede decidiu ir ao evento e depois de dirigir por 13 horas chegou ao principal prédio do Smithsonian Institut e sem ser convidado entrou no coquetel oferecido na sala de diretoria. De imediato se depara com Robert Bushbacker (WWF-Brasil) e Richard Donovan, os dois apresentaram Zweede ao Dr. Lovejoy e Sr. Peterson, descrevendo que se tratava de alguém que trabalhava no Brasil e que havia sido diretor da Jari. Ao mesmo tempo Bushbacker informou que Zweede estava ali para fazer um pedido a Peterson.

Zweede explicou os atores envolvidos na pesquisa e o objetivo do projeto – demostrar a viabilidade ambiental e financeira de uma exploração de baixo impacto, e que para tanto necessitava usar equipamentos de ponta. Já apresentados, Peterson convida Zweede a comparecer ao seu escritório às 15h do dia seguinte para tratar do assunto. Na hora marcada, Zweede foi sozinho ao escritório e explicou em detalhes a pesquisa em andamento. Peterson se prontificou em apoiar. “Ele fez apenas um questionamento, perguntou o que eu precisaria. De pronto respondi que seriam pelo menos um Skidder e uma Carregadeira, e se possível um trator de esteiras”, conta. Três meses depois, no verão de 1993, as três máquinas estavam em Paragominas, à disposição da pesquisa. As três maquinas foram utilizadas durante um verão, e em seguidas entregues à Sotreq para revenda.

Com o término da experimentação, Zweede foi convidado para a reunião anual da TFF em Washington D.C USA, em novembro de 1993. No evento, expõe os resultados preliminares do uso das maquinas cedidas por Peterson à pesquisa do Imazon em Paragominas. No final da apresentação, Peterson anuncia que deseja visitar a área da pesquisa na primavera do ano seguinte, em 1994. A visita ocorreu no mês de maio. Zweede o levou ás áreas submetidas a experimentação. “No retorno, já no Hotel Hilton em Belém, Peterson perguntou como poderiam fazer com que os resultados da pesquisa pudessem ser replicados, ou seja, colocar em uso noutras áreas e empreendimentos na Amazônia. Respondi que o primeiro passo deveria ser a implantação de alguns modelos demonstrativos de manejo de baixo impacto noutras partes da Amazônia para outras pessoas verem, mas que para tanto, precisaria de máquinas, de equipe e de criar uma entidade”, lembra.

Em 14 setembro de 1994, Zweede recebe permissão para criar uma organização no Brasil com apoio de máquinas da CAT e primeiros fundos do Banco Mundial e da própria TFF. Surge, então, a Fundação Floresta Tropical (FFT). O restante do ano foi dedicado para localizar áreas para montar os primeiros modelos. Em novembro, se une à equipe o gerente administrativo Raimundo Amaral. Em janeiro de 1995, inicia-se a formação da equipe técnica com a chegada do engenheiro florestal Carlos Leão. No início de 1995, Zweede é chamado pelo Smartwood para prestar uma consultoria. Para essa consultoria, ele é apresentado à Cikel, que na época detinha áreas no Maranhão e Pará e tinha a intensão de certificar as áreas de manejo florestal.  Em sobrevoos e visitas às fazendas Sumal, Rio Capim e Cauaxi para avaliação preliminar, Zweede encontra um pequeno planalto na Cauaxi, que meses depois solicita a Cikel para instalar uma primeira área de manejo florestal como modelo demonstrativo de Impacto Reduzido.

Em maio de 1995, a equipe aumenta com a chegada dos engenheiros florestais José Carlos Damasceno e Rodrigo Pereira, e ainda dos técnicos florestais Celso Couto e Marlei , Zweede convida para compor a equipe os operadores de máquinas que haviam trabalhado com ele no período em que atuou na JARI e no experimento do Imazon, os operadores de trator Manoel Barbosa, operador de Skidder, Antonio da Conceição, conhecido como Gavião, e motosserristas. No verão de 1995, a equipe monta o primeiro acampamento na fazenda Cauaxi e instala o talhão TII (UT), utilizado para treinar a equipe em todas as atividades operacionais de impacto reduzido.

No final do 1995, a pedido de Zweede, o operador Manoel Barbosa desce com trator uma área acidentada e encontra a atual área do acampamento do Centro de Manejo Florestal Roberto Bauch (CMFRB) e são instalados o TI e TIII (Uts), duas áreas para o ano 1996, nestas áreas, já em nível de pesquisa, é realizado o estudo comparativo de custos financeiros entre exploração convencional e exploração de impacto reduzido financiado pelo USFS/IP e liderado pelo economista Dr. Thomas Holmes. Ainda em 1996, Roberto Bauch consegue recurso com o Banco Mundial e em 1997 são instalados os modelos de manejo comparativo em Marcelândia e Claudia no Mato Grosso (MT). Ainda no MT a FFT completa a segunda fase para criação dos modelos e também expõe máquinas florestais na feira agropecuária.

Do ano de 1997 à 1999, são instalados em Portel, no baixo amazonas, modelos de manejo florestal com o apoio do dono da Amacol. Em 1998, o Serviço Florestal Americano apoiou a instalação do modelo na Flona Tapajós com o apoio de Michael Keller, que também foi utilizado no grande projeto LBA (NASA e INPA). No planejamento do Zweede ainda seria instalado outro modelo no Acre, com mogno. A ideia central dos modelos foi de servirem como demonstração de boas práticas de manejo sobre diferentes condições de sítio e de floresta. E, secundariamente, treinamento de pessoas em boas práticas operacionais de manejo.

O primeiro treinamento ocorreu no MT para agentes do governo do estado, curso TD, em 1997. Também houve cursos em Portel. Na Flona Tapajós ocorreu o primeiro GM, em 1998. Também, em 1998 ocorreram os primeiros cursos para Tomadores de decisão (madeireiros) da região de Paragominas.

Zweede conta que de 1995 a 1999 as coisas aconteceram muito rápido, com instalação dos modelos demonstrativos, crescente procura por cursos e aumento das iniciativas de manejo com Exploração de Impacto Reduzido na Amazônia. “No final da década de 1990, com a demanda por treinamento crescendo ao ponto de a FFT ter que negar turmas por falta de estrutura e recurso financeiro e aumento dos compromissos da FFT fora do centro de treinamento, aliando-se a necessidade de aprimoramentos em manejo florestal, ficava óbvia que a proposta inicial da criação de FFT para instalar modelos e alguns treinamentos para três anos não seria suficiente, e que seria necessário um programa de capacitação e treinamento de logo prazo”, diz. Por sua vez, a matriz da TFF não teria como subsidiar outra ONG por longo prazo, sendo a nacionalização da FFT a saída mais plausível. Por outro lado, a FFT sendo uma subsidiária da TFF, portanto ONG internacional, ficava impedida de obter recursos nacionais.

Estas conjunturas de fatos levou a necessidade de mudança de FFT para Instituto Floresta Tropical (IFT), agora sim, uma instituição brasileira. Então, Zweede, que já contava com o apoio do Serviço Florestal Americano Programas Internacionais, teve o aval financeiro dessa instituição para ajudar na criação de uma nova ONG, com entidade Brasileira.

A proposta de mudança foi submetida e aprovada na reunião de diretoria da TFF em Washington no mês de outubro de 2001, e em 2002, a FFT passa a se chamar IFT, sigla para Instituto Floresta Tropical. Outra ação que deu força a criação de uma organização nacional foi um encontro ocorrido em Belém em 1999, no hotel Regente, onde estavam presentes diversas organizações governamentais, privadas e ONGs. Para citar algumas: FFT, Ibama, MMA, Imazon, WWF, Imaflora, IPAM, UFRA, EMBRAPA, CIKEL, Roberto Bauch e outras. O objetivo do encontro era debater a criação de um centro permanente para a Amazônia. No entendimento dessas organizações, esse centro deveria ser conduzido pela então FFT, e dessa reunião saiu, também, o consenso de se criar o CENAFLOR para congregar iniciativas promissoras em capacitação e treinamento de atores do setor florestal no bioma Amazônico.